História

Arco de Nossa Senhora de Fátima

Arco de Nossa Senhora de Fátima 1955

O local onde hoje se situa a cidade de Ipueiras fazia parte da imensa propriedade que pertencia ao famoso Manuel Martins Chaves, Coronel do Regimento de Cavalaria, Presidente do Senado da Câmara da Vila Nova de São João d’El Rey e uma das figuras mais curiosas da crônica colonial.

O império do poder desse homem singular estendia-se por uma amplitude geográfica imensa, alcançando o Planalto da Ibiapaba e indo fenecer já nos sertões dos Inhamuns, onde outros potentados, os Feitosas, estabeleceram “limites de guerra”, na conceituação do saudoso jornalista Waldery Uchoa.

Certo dia do ano de 1806, João Carlos Augusto de Oeynhausem e Grewenburg, Governador da Capitania, homem de pouca conversa e muita ação, resolve pôr termo ao ilimitado poder de Manuel Martins, acusado, à época, de mandar praticar crimes terríveis, inclusive o assassinato do Coronel Porbem Ribeiro, juiz da Vila d’El Rey. E lá se foi o Governador para a Ibiapaba passar a revista nos Regimentos da Capitania. O certo é que Manuel Martins, querendo ser gentil a João Carlos, o acompanhou através de várias pousadas, até que, em Ibiapaba, a bomba explodiu: debaixo de uma grande barraca estava uma mesa e sobre ela Oeynhausem colocou uma coroa. Em seguida perguntou a Manuel Martins Chaves se a conhecia, ao que ele respondeu: “é de Sua Majestade, minha Senhora”. “Pois em nome dela se considere prisioneiro”.

Galpao da farinha

Galpão da Farinha na Rua Vicente Ferreira Lima, 1969

Era o fim do grande potentado. Foi, meses depois, recolhido aos cárceres da prisão de Limoeiro, em Portugal, onde faleceu no dia 23 de maio de 1808. Posteriormente, as suas propriedades foram confiscadas. A “Fazenda Ipueiras” foi retalhada e um dos seus adquirentes, Joaquim Alves Linhares, anos depois, ao se retirar para o Piauí, doou o seu quinhão para servir de patrimônio a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Ipueiras.